terça-feira, 24 de maio de 2016

Estude mais que o necessário!

Há alguns pontos do chamado “jeitinho brasileiro” que parece que, quer queira, quer não queira, se impregnaram na alma de nosso povo. Um destes pontos é a nossa preguiça de ler. Os estudantes estudam (será?) em estado “banho Maria”, ou melhor, vão levando a vida. Para entender de uma vez: estudamos apenas o necessário para conseguir o desejado diploma.
         Este é um grave problema de nossa cultura. Desde o ensino básico os alunos desenvolvem uma convicção: “vou estudar para passar”. Ele não quer dar o máximo de si para adquirir os conhecimentos daquela série, matéria; o desejo de sua alma é só ler o que tem que ser lido, fazer os exercícios rotineiros, entregar/apresentar os trabalhos que o professor manda... Passei de ano!
         Boa parte dos estudantes universitários ainda tem este pensamento. Não se lê nada além daquilo que se presume que vá cair na prova e/ou algum livro/apostila que o professor indicou. Ora, isso gera uma classe de universitários nivelados por baixo. Se lê apenas o mínimo necessário para ser bonzinho e não reprovar, nada além. Não se aprofunda na investigação científica. Temos preguiça.
         Outro dia fui à biblioteca da universidade da qual curso Pedagogia, e vi um livro que me chamou atenção. Aquele livro, porém, mais do que um bom título e aparentemente um bom conteúdo, tinha algo desestimulante: era grande! Mais de 600 páginas. Peguei o livro. Começo a ter o pensamento inspirado pelo espírito de “jeitinho brasileiro”: Para quê lerei este livro? Professor pediu? Não. É um livro grosso, não vou dar conta de ler rápido. Para quê levar? Não sou obrigado a ler... – Peguei o livro! Ora, sou desses! Agora é preciso coragem para ler!
         Se você é um estudante que apenas quer receber seu diploma, para depois aparecer em uma matéria de telejornal mostrando as pessoas que tem curso superior, mas estão desempregadas, provavelmente deve estar pensando: por que você pegou um livro enorme para ler se nem obrigado você é? Mas, amigo(a) leitor(a), devemos saber que um verdadeiro estudante não lê para ganhar nota, mas para ganhar sabedoria. É claro que há coisas que só lemos porque é preciso para ganhar nota. Mas é necessário ir além. É necessário buscar a ciência, saber a verdade, ir além do mínimo necessário para ter diploma; devemos ir ao máximo que podemos para não sermos medíocres.
         Muito se fala em transformação na educação, que se precisa de investimento, etc. Mas precisamos impelir os jovens a desejarem ardentemente o conhecimento da verdade. Precisamos fazer uma cirurgia na alma dos jovens para retirar a preguiça.
         Para compreender o perigo de ler apenas o necessário para ganhar nota, lembremos da realidade da “educação” no Brasil. As nossas universidades estão repletas de professores marxistas. Se você apenas ler o que o professor manda, poderá trazer duas graves consequências:
·        De tanto ouvir uma mentira, acabará acreditando nela como verdade;
·        Mesmo que você não adira a mentira, mas estudando apenas aquela “meia verdade” ou uma mentira total, só lendo para ganhar nota, sem o mínimo esforço para estudar outras fontes, outros autores, ter em mãos o contraditório; você será um guerreiro por ter lido um monte de merda e não estar fedendo, mas estará mergulhado na mediocridade por não ter aprofundado em um assunto interessante. Você estudou um curso em que os professores passam muito marxismo, mas não se interessou de estudar – de maneira autodidata e séria – a disciplina pura. Isso é mediocridade.

Quero usar meu curso como exemplo. Estudo Pedagogia, e uma das disciplinas é História da Educação. Ora, não posso ficar apenas com aquela visão meia resumida, levando sempre as coisas para uma luta de classe (mimimi elitista mimimi...). Ora, apesar de terem abordado a patrística e a escolástica, sabemos que a contribuição da Igreja Católica foi muito maior (do que a abordada na faculdade). Se apenas leio o que a faculdade manda, até acredito nos mitos que dizem sobre a Igreja. Mas, por outro lado, se vou buscar fontes históricas, fontes primárias, se vamos aprofundar no assunto.... Pois é, nunca saberemos a verdade se apenas lermos o mínimo necessário para ser um graduado.
Imagine um médico que percebe que sua faculdade foi omissa em ensinar algum aspecto de alguma área da medicina. Se ele for medíocre e apenas quiser seu diploma para depois ganhar rios de dinheiro, ele vai é achar bom. Graças a Deus, diria o mercenário, um livro a menos para ler; terei tempo de curtir o fim de semana. Porém, aquele que tem sede de conhecimento, que desejar ser um médico comprometido com a saúde do ser humano, mesmo sem o professor pedir, ele irá estudar sozinho sobre aquela disciplina, sobre aquele ponto que ele viu que a faculdade foi falha no ensino.
Embora a universidade tenha que dar meios para o bom aprendizado do estudante, sabemos que o que se espera do universitário é um certo autodidatismo. Afinal, ao assistir uma aula, apenas bebo um pouco do conhecimento daquele professor; mas o conhecimento será eu que terei que construir. É por esta mentalidade de ler para ter diploma, que as universidades brasileiras produzem pouco na área científica. Você pode até citar algumas descobertas, ótimos trabalhos, mas, seja sincero, diante da quantidade de universitários que temos, são poucos avanços neste sentido. É nas universidades que devem estar grandes pesquisadores. Mas que investigação científica você pode esperar de uma raça de estudante medíocre que compra trabalho, que não lê, ou que quando não tem nada passado pelo professor dar graças porque poderá ir para a balada. Vocês querem com isso produzir grandes cientistas? Conta outra! Que obra podemos esperar dos nossos estudantes? O funk, talvez.
Estude além do necessário, ou continuaremos nivelados por baixo. Renuncie a preguiça! Adira a verdade.
Vi um vídeo esses dias do Dr Enéas Carneiro. Algo me impressionou na fala deste saudoso brasileiro. Ele disse que entrou para a faculdade de medicina porque dava um conhecimento maior; mas que viu que não teria uma formação na área de exatas. Prestou vestibular, então, para matemática e física. Passou, obviamente. Se forma em matemática e física (ao mesmo tempo em que estudava medicina) e vê que precisava de conhecimento de humanística. Mas, segundo ele, cansado, não quis fazer outra faculdade; passou a estudar sozinho grandes filósofos. Citei o grande Enéas Carneiro por ser um grande exemplo de uma pessoa que não quis ficar na média, mas que tinha uma profunda sede de conhecimento e foi as fontes para saciá-la. Se ele conseguiu cursar medicina – MEDICINA! – e outra faculdade simultaneamente, e fazer um profundo estudo das ciências humanas... Por que eu não conseguiria ler aquele livro grande que o professor não mandou ler? Eu consigo! Você consegue! Nós não somos tão antas assim! Nós crescemos acreditando que éramos antas. Mas, não. Nós temos jeito. É só parar de buscar o diploma, para buscar a sabedoria em primeiro lugar.
         O Dr Eneas morreu, mas vivo ficou seu exemplo, sua sabedoria em seus escritos e vídeos. Se nós não levarmos o estudo a sério, a única coisa que produziremos para as próximas gerações será o trá, trá, trá... Hã, Hã, Hã, tá tranquilo, tá favorável...


         

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Qualidade dos novos professores no Brasil é cada vez pior, revela estudo

Estudantes de Pedagogia com esse perfil tiveram desempenho menor no Enem e não se saem bem na prova de conhecimentos gerais do Enade


As próximas gerações tendem a ter uma educação precária, o que pode a reproduzir a pobreza, por causa da menor qualidade dos novos professores. A constatação é do boletim “Perfil dos futuros professores”, divulgado pelo IDados no fim de abril. De acordo com o documento, as faculdades de Pedagogia no país atraem anualmente mais estudantes de escolas fracas e com desempenho ruim no ensino médio – o contrário do que ocorre nos países desenvolvidos, em que os futuros docentes são recrutados entre os melhores alunos.
“O cenário é complexo e são vários os motivos pelos quais isso acontece”, explica Paulo Rocha e Oliveira, presidente do IDados, entidade ligada ao Instituto Alfa e Beto. “O fato é que os cursos de Pedagogia não atraem os melhores alunos, são fáceis de entrar, as notas de corte são baixas e passam a ser a porta mais fácil de acesso dos menos qualificados ao ensino superior”, comenta.
De 2005 a 2014, a quantidade de matrículas nos cursos de Pedagogia de alunos de baixa renda familiar (de até três salários mínimos) duplicou, chegando a 83%. Do total em 2014, 59% tinham mães com escolaridade de até a 4ª. série e 78% estudavam à noite. Essa parcela da população, mostra o levantamento, tem notas abaixo da média geral no Enem, que já é um índice baixo.
Já em relação à prova de conhecimentos gerais do Enade, mais associada ao nível cognitivo dos alunos do que ao conteúdo específico, comparados a alunos de outros cursos, como o de Engenharia, os estudantes de Pedagogia têm resultados inferiores. As notas da prova variam de 0 a 100 e os novos professores, desde 2005, não conseguem atingir a marca de 50 pontos.
O estudo aponta também que em nenhuma região do país existe uma política para atrair melhores estudantes para o magistério.

Professores ideais x preocupação social

Em países como Finlândia, Coreia do Sul e Polônia, só pode ser educador aquele que foi um excelente aluno, com notas muito acima da média no ensino médio, principalmente em português, matemática e ciências, disciplinas avaliadas nos testes internacionais, especialmente no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) – nas quais o Brasil tem ficado sempre nos últimos lugares.
Estudos, como os realizados pelo pesquisador Eric A. Hanushek, da Universidade de Stanford, cruzam a qualidade dos professores com a melhora no ensino e o crescimento econômico desses países. Professores mais qualificados conseguem melhorar a qualidade profissional e cultural das próximas gerações e, com isso, o nível socioeconômico da população em geral.
No Brasil o quadro é mais complexo já que as políticas sociais necessárias de inclusão – como o Fies e o ProUni – podem ser contraditórias se, ao mesmo tempo que abrem mais vagas nos cursos, não investem também na atração de melhores alunos ou em iniciativas capazes de consertar falhas na educação básica dos ingressantes.
“A primeira coisa que é preciso refletir ao ver os resultados de uma pesquisa como essa é ver que tipo de pessoa queremos atrair para o magistério, sem distorções e sem deixar para trás avanços sociais”, explica Paulo Oliveira.
Para a professora Araci Asinelli da Luz, doutora em Educação e professora na UFPR, o foco principal não deve ser tanto a origem dos alunos, mas os investimentos feitos pelo poder público para melhorar tanto a universidade quanto as condições de trabalho dos professores, para atrair os mais aptos. “Não existem pesquisas do motivo pelo qual os estudantes escolhem Pedagogia, mas sabemos que muitos deixam de optar por ela porque o professor não tem reconhecimento nem boas condições de trabalho”, afirma.

Desvalorização

Dados da OCDE de 2015 mostram que, entre 30 países, o Brasil é um dos que pagam os piores salários para os professores, ficando à frente apenas da Hungria e da Indonésia. Os professores brasileiros são também os que têm mais alunos em sala de aula e com menores recursos para infraestrutura.
“Os alunos que teriam vocação para o magistério muitas vezes são desestimulados pela própria família pelas condições precárias da profissão, baixos salários e descaso do poder público”, lamenta Dora Megid, diretora da Faculdade de Educação da PUC-Campinas. “Acredito no potencial dos alunos de baixa renda, que conquistam resultados brilhantes em faculdades bastante exigentes, mas se não houver algum incremento nas condições de trabalho, esses mesmos estudantes acabam deixando de lecionar”, alerta.

PERFIL

A quantidade de alunos de Pedagogia no Brasil proveniente de famílias de baixa renda aumentou nos últimos anos. Eles vêm normalmente de escolas fracas e têm baixo desempenho nas avaliações em comparação com outros cursos.
Fonte: MEC/Inep, IDados – Instituto Alfa e Beto Infografia: Gazeta do Povo.

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Comentário:
O grande problema dá má formação dos professores é algo que a matéria "disse sem dizer". Ora, sabemos que ter vindo de família de baixa renda não reflete em você ter bom ou péssimo resultado nas avaliações. O problema dessa má formação chama-se ESCOLA PÚBLICA. Sim, o ensino público na Educação Básica é um lixo.
O próprio fato de universidades federais usarem cotas por classe demonstra que a escola pública não prepara o aluno para lutar de igual pra igual com o outro que vem do ensino privado. Porém, os pseudo especialistas da educação não farão nada para mudar o cenário. Enquanto nós ocupamos os últimos lugares no PISA e em outras avaliações, o Governo e movimentos de esquerda estão preocupados em transformar a escola em palanque político-partidário. A infraestrutura das escolas é péssima em muitos lugares, mas sindicatos de professores estão nas Câmaras lutando para se aprovar a ideologia de gênero. 
O estudante pode vim do ensino público ou do privado, mas após chegar à Universidade ainda encontrará várias coisas que o fará ser um profissional medíocre. Também nas universidades está presente - e com força - a doutrinação marxista, a formação em prol do relativismo, implantação de uma mentalidade que aceite a ideologia de gênero, etc.; enquanto o que convém a disciplina é deixado de lado. Eu curso Pedagogia, e para terem uma ideia, na disciplina Política e Organização da Educação Básica, boa parte das aulas e do material didático dado pela Faculdade trazia discussão entre Liberalismo x Marxismo. LDB e outras leis que se danem! Ora, se o estudante - não só de Pedagogia, mas de qualquer curso superior - não tiver um profundo desejo de conhecer a verdade, de investigar, mesmo com o professor destruindo a disciplina ele vai e busca conhecimentos científicos daquela matéria para saber, enfim, se de certa maneira não se torna um autodidata, estará fadado à uma imbecilização continuada que existe da educação básica à universidade. 
Olhe por exemplo o que o MEC quer fazer com a Base Curricular Comum e veja que esse pessoal pouco está se importando com o conhecimento científico, com os saberes, eles querem é imbecilizar a nação. Quem estuda Pedagogia sabe muito bem que a Educação é conceituada como uma socialização, ou seja, português, matemática, biologia, etc., não é a função principal, a escola tem que, segundo eles, socializar a criança. Por isso NÓS que saímos do ensino público não conseguimos passar numa prova de conhecimentos - porque não era importante para aprendermos; mas somos sociáveis com grupelhos de esquerda. 

domingo, 24 de abril de 2016

Como gostar de ler?

Ler ou não ler, eis a questão! Se tem uma coisa na cultura brasileira que parece ter gerado um sentimento de conformação, é o fato do brasileiro não gostar de ler. Bom, pelo menos é o que se diz: o brasileiro não lê nada, tem preguiça, não gosta de ler.
         Permitam-me, porém, discordar desse julgamento. O brasileiro gosta sim de ler. Nós brasileiros, aliás, lemos muito. Ninguém pode dizer que o brasileiro não goste de ler. Se você está achando que sou um louco, peço, porém, que analise a vida do brasileiro: o brasileiro não costuma, é verdade, ler livros, mas ler, bom, ele lê sim. O brasileiro passa horas por dia trocando mensagens no Whatsapp; conversa também via facebook, passa vários minutos vendo postagens que trazem imagens com... algumas frases. Querendo ou não, ele está lendo. O brasileiro está a todo tempo lendo: seja postagens em redes sociais, seja matérias em sites esportivos sobre seu time de futebol. O brasileiro pode não ler algo de útil, mas que ele lê, bom, ele lê sim, senhor!
         Se nós queremos criar o hábito da leitura, ou melhor, se nós queremos ter o gosto, a paixão, o amor por ler, pelo conhecimento, e fazer com que seja impregnada na cultura brasileira este mesmo sentimento; precisamos sair do pré-julgamento de que o brasileiro não lê nada, reconhecendo que ele lê alguma coisa, para poder fazer o seguinte questionamento: porque o brasileiro passa vários minutos, talvez horas, lendo postagens no Facebook, mas é incapaz de pegar um livro para ler até o fim?
         Feita essa pergunta, poderemos chegar a uma solução para este problema cultural do brasileiro. Sabe porque o brasileiro lê sem reclamar um texto falando da nova contratação do seu time de futebol, lê mensagens na rede social, mas não lê o livro? Porque nos primeiros casos, em que ele lê, ele faz porque gosta; já no segundo, é algo entediante. Ou seja, o brasileiro lê aquilo que gosta. Aliás, de maneira geral todos nós lemos o que gostamos. Obviamente em outro contexto, como na vida acadêmica, por exemplo, você poderá ler algo que lhe cause um certo desgosto, mas é um outro contexto. O que estou aqui falando é que, as crianças e jovens não gostam de ler, não criam hábito de leitura, porque não há verdadeiro incentivo para ler.
         Como você fará com que seu filho ou seus alunos gostem de ler? Não vai ser dando a Constituição para ele lê que você conseguirá isso. Se você ainda não compreendeu, tentarei ser mais claro. O Prof. Pierluiggi bem ensinava em suas palestras como ensinar alguém a gostar de ler: fale para a criança ou adolescente escolher um livro: gostou? Está chato a leitura? Para de ler e escolhe outro para ler. Está chato também? Faz a mesma coisa. Ou seja, uma hora ele achará um livro que ele GOSTARÁ, que trará prazer em ler, que fará ter vontade de ir até o final. É dessa maneira que se fará nascer um leitor. Se você simplesmente pega um livro, joga no colo do jovem, e constrange-o a ler de qualquer jeito, muito provavelmente, se este jovem conseguir ler o livro, ele não criará desejo de voltar a ler livros do tipo. Mas se você usa a técnica do parar de ler e partir para outro, até achar um livro que goste, você sempre estará lendo algo, e uma hora achará um que lhe dê gozo. Ora, cada ser tem sua personalidade, nem todo livro é para todas as pessoas, nem todas as pessoas gostam do mesmo livro.
         Após ter ouvido esta dica do Professor Pierluiggi, lembrei-me de quando tinha 13 anos e estava na oitava série. A professora de português indicou um livro que falava de literatura em geral - coisas bem teóricas; mas que no meio do livro havia uma história de ficção. Na época eu não gostava de ler. Li aquela história a pulso! Pense em uma história chata! Tratava-se de uma história de um chinês que se alimentava de papel e bebia tinta por causa de uma maldição, aí alguém disse uma palavra, ele é liberto, se não me engano apareceu morto com um bilhete que, se não me engano, dizia “obrigado”. Que diabo de história é essa? Hoje me pergunto: é sério mesmo que queriam incentivar adolescentes a terem gosto pela leitura com uma história bizarra e chata como esta?
         Talvez por isso, o primeiro (e único) livro que me recordo que li no período do Ensino Médio, foi o Alto da Compadecida (sim, por causa do filme!). No Ensino Médio os alunos leem algo, mas de maneira constrangida, porque são obrigados porque cai nas provas do PAS. Ou seja, leem só as histórias chatas que o sistema educacional obriga. Aliás, isso quando leem, porque se tiver filme inspirado na obra.... Vocês sabem!
         Eu não sou um grande leitor, um cara que lê de maneira compulsiva. Ainda estou engatinhando. Porém, tenho a plena certeza de que para se iniciar na leitura é preciso ler o que se gosta. Eu comecei a ter gosto pela leitura ao começar a ler as sagradas escrituras e demais livros ligados ao catolicismo. E mesmo assim com muita dificuldade. Como começar a gostar de ler, então? Leia coisas que goste. Deixe seu/sua filho(a) ler coisas (morais, claro) que lhe agrade, tais como os mitos, as aventuras, etc. Se nós não começamos a ler pelo que gostamos, nunca leremos porque é necessário.

         Do gosto, vai-se pela necessidade, até ler por amor. Se não incentivarmos a leitura, dessa forma, para as crianças alfabetizadas e para os adolescentes, nós continuaremos a ler muito, só que, em suma, só besteiras nas redes sociais.

sábado, 23 de abril de 2016

Corrija seu filho! Não deixe que ele te domine!



ASSISTA AO VÍDEO ACIMA

Um dos maiores erros cometidos na nova educação das crianças, incitada por certos pedagogos e psicólogos, é retirar a disciplina da educação. Essa nova pedagogia dá a entender que a criança se desenvolverá sozinha, e não deve ser reprimida para não gerar traumas. Porém, a criança precisa ser corrigida, e negar isso é entregá-la a uma possível personalidade...

Para entendermos melhor, a psicologia vai nos ensinar a cerca dos chamados condicionamentos, que podem ser clássicos, ou operantes. No condicionamento clássico, se faz uma ação, para que a criança fique condicionada a toda vez que houver aquela ação, ter uma reação (que esperamos); já no condicionamento operante, diante de um ato da criança se faz uma ação, seja para incentivar que se repita ou para que não o faça novamente. Exemplificando: uma criança que está aprendendo a comer sozinha, ao acertar a condução da colher à sua boca, você faz reação para motivá-la a continuar aquele ato (comer só), então diz coisas como "muito bem; parabéns; que lindo(a)!, etc"; a criança gostando dos elogios, estará condicionada a repeti-los. Porém, se a criança faz algo de errado, muitas vezes até colocando sua vida em risco (colocando dedo na tomada, por exemplo), faz-se uma reação que a desagrade, para condicioná-la a não repetir aquele ato, por não querer aquela reação que lhe desagradou. São exemplos desse tipo de condicionamento operante algumas broncas, tapinhas, castigos tais como proibir videogames por um tempo, etc.

O uso dos condicionamentos sempre existiram. Porém, nos dias atuais podemos constatar que existe uma gama de pais que, muitas vezes (des)orientados por pseudo profissionais da educação e da psicopedagogia, se recusam a aplicá-los, muitas vezes sob a desculpa de não traumatizar a criança, de que ela (criança) se desenvolverá sozinha, etc. 

Só que tem um pequeno detalhe: se você não usa o condicionamento contra o seu filho, ele não temerá usá-lo contra você. A criança fará algo de errado, não havendo uma reação que lhe desagrade, ou seja, que lhe discipline, ela estará condicionada a sempre fazer o que bem quiser, pois saberá que não tem punição. Ela pode tudo. Sabe aquelas crianças birrentas? Então, em suma são frutos dessa falta de disciplina. Claro que há casos e há casos... Mas veja só: uma criança pede uma coisa para sua mãe, esta recusa; a criança então põe-se a fazer um chilique, de tal modo que a mãe - desesperada, coitada! - diz "tá bom! tá bom! Pega logo e cala a boca!". Sabe qual o resultado disso (principalmente se for repetido)? Essa criança estará condicionada a achar que toda vez que quiser algo e receber um NÃO como resposta, basta ela fazer o famoso chilique que conseguirá. Acredito que a maioria de vocês, caros leitores, foram criados com uma educação mais rígida. O que você ganharia se fizesse chilique? Pois é. Hoje, não, os pais são dominados pelos filhos. Ai do pai e da mãe que não compre tablet, celulares de última geração, etc, para o(a) filho(a) de três anos. Três anos!

A criança cresce birrenta, cheliquenta, e estendendo o tempo do pensamento egocêntrica (até os 7 anos mais ou menos) para as outras etapas do desenvolvimento. Basta olhar para os nossos jovens para ver o resultado dessa nefasta educação. Os adolescentes de hoje, mais do que nunca, são sensíveis, ofendidos por tudo, não aceitam nãos como resposta. Um dos motivos é porque foram criados numa atmosfera onde se tinha tudo, e diante dos erros não se houve disciplina. Para o bom desenvolvimento da criança e do adolescente, é preciso ensiná-lo a conviver com os Nãos, afinal, todos nós sabemos que nunca teremos tudo o que queremos, na hora que queremos, e tão pouco da forma que queremos. 

Enquanto alguns profissionais disseminam suas ideias de que não se pode disciplinar as crianças, crescem o número de pais que são dominados - sufocados, diria - por seus filhos. Enquanto você pai, você mãe, segue esses ensinamentos de um construtivismo doentio (ela se desenvolverá e aprenderá tudo sozinha, no seu tempo, não aplique condicionamentos - dizem esses pseudo profissionais), seu filho te domina, e mais na frente quando "o bicho pegar", você provavelmente fará algumas perguntas: onde eu errei? Por que essas crianças de hoje são tão rebeldes? Bom, muitas vezes o problema não está nas crianças de hoje, mas nos pais de hoje. Muitas vezes se fala em dar para os filhos tudo aquilo que não tiveram, e esquecem de dar aquilo que tiveram: disciplina, amor, presença. Ora, se a disciplina que você foi submetida saia do condicionamento para o espancamento, não é por isso que você deva fazer mau uso do condicionamento, seja repetindo os mesmos erros espancando os filhos, seja não aplicando punições alguma. Nem tanto ao mar, nem tanto a terra. Discernimento!

Para você entender melhor sobre o que estou falando no condicionamento operante, recomendo que leia o post Palmadas nos filhos: pode ou não?

Entenda que quando a imagem fala em "trauma psicológico" está usando da ironia.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Viva Paulo Freire! - Por Olavo de Carvalho

Paulo Freire
Diário do Comércio, 19 de abril de 2012
Vocês conhecem alguém que tenha sido alfabetizado pelo método Paulo Freire? Alguma dessas raras criaturas, se é que existem, chegou a demonstrar competência em qualquer área de atividade técnica, científica, artística ou humanística? Nem precisam responder. Todo mundo já sabe que, pelo critério de “pelos frutos os conhecereis”, o célebre Paulo Freire é um ilustre desconhecido. As técnicas que inventou foram aplicadas no Brasil, no Chile, na Guiné-Bissau, em Porto Rico e outros lugares. Não produziram nenhuma redução das taxas de analfabetismo em parte alguma.
Produziram, no entanto, um florescimento espetacular de louvores em todos os partidos e movimentos comunistas do mundo. O homem foi celebrado como gênio, santo e profeta.
Isso foi no começo. A passagem das décadas trouxe, a despeito de todos os amortecedores publicitários, corporativos e partidários, o choque de realidade. Eis algumas das conclusões a que chegaram, por experiência, os colaboradores e admiradores do sr. Freire:

“Não há originalidade no que ele diz, é a mesma conversa de sempre. Sua alternativa à perspectiva global é retórica bolorenta. Ele é um teórico político e ideológico, não um educador.” (John Egerton, “Searching for Freire”, Saturday Review of Education, abril de 1973.)

“Ele deixa questões básicas sem resposta. Não poderia a ‘conscientização’ ser um outro modo de anestesiar e manipular as massas? Que novos controles sociais, fora os simples verbalismos, serão usados para implementar sua política social? Como Freire concilia a sua ideologia humanista e libertadora com a conclusão lógica da sua pedagogia, a violência da mudança revolucionária?” (David M. Fetterman, “Review of The Politics of Education”, American Anthropologist, março de 1986.)

“[No livro de Freire] não chegamos nem perto dos tais oprimidos. Quem são eles? A definição de Freire parece ser ‘qualquer um que não seja um opressor’. Vagueza, redundâncias, tautologias, repetições sem fim provocam o tédio, não a ação.” (Rozanne Knudson, Resenha da Pedagogy of the Oppressed; Library Journal, abril de 1971.)

“A ‘conscientização’ é um projeto de indivíduos de classe alta dirigido à população de classe baixa. Somada a essa arrogância vem a irritação recorrente com ‘aquelas pessoas’ que teimosamente recusam a salvação tão benevolentemente oferecida: ‘Como podem ser tão cegas?’” (Peter L. Berger, Pyramids of Sacrifice, Basic Books, 1974.)

“Alguns veem a ‘conscientização’ quase como uma nova religião e Paulo
Freire como o seu sumo sacerdote. Outros a veem como puro vazio e Paulo Freire como o principal saco de vento.” (David Millwood, “Conscientization and What It’s All About”, New Internationalist, junho de 1974.)

“A Pedagogia do oprimido não ajuda a entender nem as revoluções nem a educação em geral.” (Way ne J. Urban, “Comments on Paulo Freire”, comunicação apresentada à American Educational Studies Association em Chicago, 23 de fevereiro de 1972.)

“Sua aparente inabilidade de dar um passo atrás e deixar o estudante vivenciar a intuição crítica nos seus próprios termos reduziu Freire ao papel de um guru ideológico flutuando acima da prática.” (Rolland G. Paulston, “Way s of Seeing Education and Social Change in Latin America”, Latin American Research Review. Vol. 27, n. 3, 1992.)

“Algumas pessoas que trabalharam com Freire estão começando a compreender que os métodos dele tornam possível ser crítico a respeito de tudo, menos desses métodos mesmos.” (Bruce O. Boston, “Paulo Freire”, em Stanley Grabowski, ed., Paulo Freire, Sy racuse University Publications in Continuing Education, 1972.)

Outros julgamentos do mesmo teor encontram-se na página de John Ohliger, um dos muitos devotos desiludidos.
Não há ali uma única crítica assinada por direitista ou por pessoa alheia às práticas de Freire. Só julgamentos de quem concedeu anos de vida a seguir os ensinamentos da criatura, e viu com seus próprios olhos que a pedagogia do oprimido não passava, no fim das contas, de uma opressão da pedagogia.
Não digo isso para criticar a nomeação póstuma desse personagem como “patrono da educação nacional”. Ao contrário: aprovo e aplaudo calorosamente a medida. Ninguém melhor que Paulo Freire pode representar o espírito da educação petista, que deu aos nossos estudantes os últimos lugares nos testes internacionais, tirou nossas universidades da lista das melhores do mundo e reduziu para um tiquinho de nada o número de citações de trabalhos acadêmicos brasileiros em revistas científicas internacionais. Quem poderia ser contra uma decisão tão coerente com as tradições pedagógicas do partido que nos governa?
Sugiro até que a cerimônia de homenagem seja presidida pelo ex-ministro da Educação Fernando Haddad, aquele que escrevia “cabeçário” em vez de “cabeçalho”, e tenha como mestre de cerimônias o principal teórico do Partido dos Trabalhadores, dr. Emir Sader, que escreve Getúlio com LH. A não ser que prefiram chamar logo, para alguma dessas funções, a própria presidenta Dilma Roussef, aquela que não conseguia lembrar o título do livro que tanto a havia impressionado na semana anterior, ou o ex-presidente Lula, que não lia livros porque lhe davam dor de cabeça.

(Retirado do livro "O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota")

domingo, 10 de abril de 2016

Admire os meios, mas não inveje os fins!


Você tem sonhos? Quais são as metas que você traçou para sua vida? Quais são seus objetivos profissionais? Não, este não é um texto motivacional, necessariamente, mas devo fazer essas perguntas para fazer outra: o que você tem feito para alcança-los?
           Gostaria de expor algumas reflexões que tenho feito sobre a vida, sobre como temos educados as crianças e jovens sobre o sentido da vida, da busca dos seus objetivos. Nós vivemos numa era digital, num mundo em que reina a tecnologia; porém, ao invés de esta nos impulsionar, parece que ficamos estagnados. A minha geração (tenho 23 anos) tem muitas facilidades que as passadas não tiveram. Mas ao invés de isso servir para que nós pudéssemos dar mais de nós, dar o sangue, dar a vida naquilo que dá sentido a nossa vida, não, nós, muitas vezes, apenas sonhando. Eu vejo que, infelizmente, não só a minha geração, mas os sobreviventes da passada, foram contaminados pelo vírus do comodismo, do jeitinho brasileiro, ou do “eu quero ter, mas não quero lutar para ter licitamente”. Por isso, se a preguiça vos consome em ler este texto por inteiro, aprenda pelo menos o seguinte: admire os meios (lícitos), mas não inveje os fins!
         Se você continuou a leitura, seja porque não está com preguiça, ou porque não entendeu a última frase grifada, eis a explicação: você não pode apenas olhar pessoas bem-sucedidas, que tenham bons salários, e ficar sonhando em ganhar toda dinheirama e como gastá-la; não deve invejar aquele antigo colega de escola que estudou com você e agora está numa Universidade Federal ou numa Particular trabalhando duro para pagá-la, ou o colega que já concluiu o curso e está com o diploma; nem ficar invejando aquele empresário bem sucedido, reclamando da vida porquê aquele tem e eu, diz o invejoso, não. Não. Não deves, tão pouco, ficar invejando os colegas que passaram num Concurso. Não deves entregar-te à inveja! Olhe para tal pessoa e ADMIRE os meios. Ora, teu colega passou num concurso? Estude, se ele foi capaz, você também é! Teu colega passou numa Universidade Federal? Ora, pois, estude, se ele conseguiu, você também consegue. Fulano conseguiu se tornar um empresário de sucesso? Faça como ele: trabalhe duro! Ora, ou você acha que todos os empresários bem-sucedidos acharam uma árvore de dinheiro?
            Para exemplificar: não seja tolo de olhar o Silvio Santos e ficar invejando-o por ter se tornado um dos maiores empresários do Brasil. Admire, no entanto, os meios que ele empreendeu: trabalhou duro! Para quem não sabe, Silvio era Camelô.
            Porém, no mundo globalizado, onde a informação chega rápido; vemos chegar junto com as notícias, as músicas ostentação e coisas do tipo. E os jovens não mais dão o sangue para empreender naquilo que tem potencialidade, mas, pelo contrário, ficam apenas murmurando. Querem ser ricos, mas nem a Carteira de Trabalho tiraram, pois papai e mamãe cuidam de tudo. Aliás, a própria educação para o dinheiro tem destruído os nossos jovens. Ou melhor, é mais compreensível chama-la de “educação rumo à ostentação”. Esse é o problema. Eu quero ostentar, mas eu não quero trabalhar para que, muito ou pouco, tenha o valor do suor do meu trabalho, da minha dedicação, da devoção do meu coração dado aquilo que dá sentido a minha vida. O ter, o poder, o prazer, enfim, a ostentação não é o sentido da vida do homem. A maioria dos artistas plásticos, por exemplo, só foram reconhecidos após morrerem; isso mostra que eles pintavam, por exemplo, não pela ostentação, pela fama, mas porque aquele era o dom que Deus lhes deu.
Mas nós, não. Nós temos educado nosso sfilhos de outra maneira. Educamos na “Educação ostentação”: você TEM que ter um diploma! Você TEM que passar num concurso! Você TEM que ser bem-sucedido financeiramente! E assim, diante da preguiça vocacional que temos visto, o jeitinho brasileiro reina. Afinal, nós nem falamos e tão pouco damos testemunho da beleza e do mérito de viver os meios, só falamos que ele tem que ter o fim. Ora, para se ter o fim licitamente, de maneira ordinária, não se tem tanto prazer. Mas nós não educamos os jovens para o trabalho, mas somente para o prazer de ter, de possuir, de desfrutar. É muito mais prazeroso para um jovem de 16 anos fumar maconha e fazer sexo, do que estudar 5 horas além das aulas assistidas na escola. Mas, sabe porque nossos jovens dificilmente se tornam bons alunos? Porque independentemente de estudarem horas ou não, conseguirão seu certificado de conclusão do ensino médio. O cara que passou a adolescência toda na droga, na pornografia, etc, vai estar bem atrás daquele que passou horas estudando. Aí ao invés da pessoa reconhecer seu erro, tentar mudar, começar a estudar (porque nunca é tarde para se começar a fazer as coisas certas); não, a pessoa simplesmente amaldiçoa os que progridem, reclama que não passa nas entrevistas de emprego, reclama que na faculdade particular as provas são difíceis, etc. Mas enquanto essa pessoa não parar de invejar o fim (faculdade, concurso, emprego etc), para passar a admirar o meio (sacrifício pessoal, estudo, dedicação), pouco ou NADA mudará positivamente em sua vida.
Conheço casos, por exemplo, de jovem que não concluiu o Ensino Médio, está há anos sem estudar, e após um período de desemprego começou a reclamar do porque não passava em entrevista de emprego. Uma das frases dita por essa pessoa: “Mas para ser vendedor precisa de Ensino Médio!?”. De fato, para ser um bom vendedor não precisa de ensino médio. Mas pegando currículo com currículo, você vai chamar quem? Nessa época de crise, pessoas com ótimas experiências profissionais tem aos montes, mas, se não tenho o básico ensino Médio completo, como concorrer? Essa pessoa conseguiu um emprego, não é satisfeita com o salário, mas continua cometendo o mesmo erro: inveja o bom emprego, mas não se esforça para facilitar os meios de se ter um bom emprego. Qualquer pessoa que pensa na vida, e não no prazer momentâneo que o dinheiro pode comprar, iria dar um jeito de estudar e concluir o Ensino Médio. Você pode ir para uma Escola Pública fazer o EJA, ou mesmo fazer particular caso tenha recursos. Mas não, além do “precisa de ensino médio”, o que ouvi foi desejo de comprar um diploma. Isso mesmo. Alguém conhece alguém, que conhece uma pessoa, que trabalha numa escola... Enfim, você entendeu! Ele não fez isso, mas raciocine comigo: a pessoa está disposta a sacrificar uma quantia em dinheiro para ter um fim (diploma) de maneira ilícita, mas não tem coragem de fazer sacrifícios pessoais para ser um bom estudante, fazer a coisa certa, evoluir, crescer na vida. Sabe o que vai acontecer? Ele até pode conseguir o certificado de maneira ilícita, mas na hora de conseguir o emprego... Afinal, comprou-se o diploma, mas conhecimento não se compra, se conquista na luta (estudo). As escolas e universidades não tem cumprido seu papel educador, mas você lucra muito mais indo a ela recebendo o que podem te dar de bom, do que comprando um diploma. Na hora de mandar um email, escrever um relatório, fazer qualquer coisa... Vocês entenderam!
Se o objetivo da vida for ter um diploma, há como se comprar. Qual o teu objetivo? Tirar a CNH? Não tem conseguido passar na(s) prova(s)? Tudo bem, há esquemas para comprar carteiras falsas ou, como temos visto, esquemas para burlar o sistema e conseguir uma carteira “quente” sem ter feito as provas. Resultado: uma pessoa inapta para dirigir colocando em risco a vida de outras pessoas. Mas o que quero levantar aqui é que o problema de falsificações de certificados, de CNH’s, de fraudes e fraudes, da corrupção, enfim, é porque a nossa cultura brasileira educa para a ostentação pura e simples, para a inveja, para querer o objeto desejado, mas sem fazer os devidos sacrifícios para se conseguir aquilo. Para que estudar, fazer provas, se o Certificado de Conclusão do Ensino Médio ou a CNH, por exemplo, pode ser comprado em alguma esquina? Somos uma geração medíocre.
Ainda falando de ensino médio, você chega para algumas pessoas e fala: olha, os maiores de dezoito anos que passarem no ENEM recebem o Certificado de Conclusão do Ensino Médio. O que ela faz? “Legal”, é o que provavelmente responde. Mas se é alguém que quer conquistar seus objetivos licitamente, não importa o tempo que passou sem estudar, nem mesmo a idade que tem hoje, começa – ou recomeça – a estudar e luta arduamente para conseguir, pelo menos, o mínimo, sim, o mí-ni-mo para conseguir o Certificado. O “trouxa ostentação” o que faz? Fica: eu quero o certificado, mas não quero estudar; eu quero o carro, mas não quero trabalhar; eu quero uma família, mas não quero me sacrificar; eu quero, mas não quero. Entendem?
Enquanto as pessoas não entenderem que ficar dançando funk pelado(a) na rua, fumando maconha, cheirando cocaína, transando no meio da rua ou onde quer que seja, como loucos, não vai acrescentar em NADA a sua vida intelectual e que, pelo contrário, a vida dissoluta irá destruir a construção da sua personalidade e a realização dos justos projetos que preenchem a alma.
Aliás, se tem algum pai ou alguma mãe lendo este texto, permita-me ser direto: você acha mesmo que seu filho pode ser a potência que ele pode ser com você fazendo tudo por ele, sem deixa-lo fazer nada? A criatura recebe a comida na mão, não lava uma louça, te xinga, fica o dia (a semana, a vida) no videogame e no pc vendo pornografia ou conversando besteira nas redes sociais, é liberado por você pra ir pra balada, recebe seu incentivo pra fazer sexo, não tem um pingo de responsabilidade, no fim do ano para não reprovar e ver algum esforço na criatura você promete uma viagem ou um outro prêmio, etc.; e bum! Simplesmente você quer que daí surja um Eintein da vida! No máximo que você conseguirá com isso é que sua filha engravide, ou que seu filho faça um filho em alguma moça, e ainda terá a cara de pau de querer pagar aborto, porque sempre foi assim, criou o(a) filho(a) sem responsabilidades! Nunca vai assumir a responsabilidade! Por que? Porque somos da geração que quer o prazer, não quer a labuta. Quer o sexo, mas não quer o filho, resultado do sexo. Portanto, quando o filho não serve para a “ostentação” e significa limitações nas minhas vontades, no meu orçamento, etc, logo querem se desfazer de um indefeso. Por que? Porque só educamos para o prazer, não para a responsabilidade. Neste sentido, o sexo que outrora em nossa sociedade era próprio do tempo do matrimônio, hoje não, é algo que compra, que se tem de graça, que usa, abusa, troca de parceiro; casar para que, segundo a mentalidade atual, se se pode ter este ato antes do casamento?
É por essa e outras que nossa nação é repleta de - perdoe-me pela franqueza - idiotas! É talvez por isso que os idiotas úteis adiram tanto a movimentos socialistas; afinal, é muito melhor lutar pelo bem alheio, do que labutar para conquistar, com os próprios méritos, seus bens. É muito mais fácil ser do MST e invadir propriedades rurais, expulsar os justos trabalhadores, e tomar o que não lhes pertence.
Enquanto não destruirmos a “educação ostentação”, o “jeitinho brasileiro”, essa inveja maldita dos fins, o máximo que conseguiremos produzir será jovens alienados que transformarão o Brasil numa Sodoma. Sim, o máximo que se terá será o aumento de pessoas que gritam "Mexeu com Lula, mexeu comigo"; que que Che Guevara é herói; que acham que mostrar as tetas nas ruas, invadir templos e se masturbar com objetos religiosos e/ou em universidades é lutar pelos direitos da mulher (ou de igualdade de gênero); e gente que vai assaltar os outros porque ele (assaltante) quer ter um tênis, celular, etc., mas acha muito opressor acordar 5h para trabalhar. Que importa ter um bom currículo ou uma extensa ficha criminal, o fim (ter coisas) foi alcançado.
Bum! Acorda Brasil! Vamos educar certo! Se não mudarmos agora, o que será daqui 10 anos?

Faculdade depois do Homeschool

Eu precisei entrar na Justiça para conseguir o meu direito de estudar. 


Como fiz todo o ensino médio em casa, obtive o certificado de conclusão através do Enem (Exame Nacional de Ensino Médio). Ele era necessário para eu conseguir me matricular na faculdade. Mas a Justiça não estava aceitando, por que na época eu tinha apenas 16 anos. Precisei de uma liminar de um juíz, e foi um período difícil, mas desde então estou aliviada. Espero que o meu caso tenha servido para criar uma jurisprudência sobre o tema.

Não tive nenhum problema de socialização ao voltar para uma sala de aula, aliás, eu passei em Comunicação Social, em pouco tempo fui eleita líder da turma através de uma votação. Foi muito fácil me adaptar. Alguns professores comentaram que eu era a mais proativa na aula. Não me surpreendi que meus colegas conheciam o Homeschool, pois na época estava sendo muito debatido na mídia. Eu tive uma grande oportunidade de explicar dentro da aula como foi meu ensino em casa. Expliquei os termos jurídicos e como funcionava. Uma professora disse que a sobrinha dela fazia e estava querendo tirar o certificado de conclusão de ensino médio. Alguns amigos me confidenciaram que, se tivessem tido a oportunidade, gostariam de ter estudado em casa.

Minha maior frustração dentro da universidade foi ter voltado e encontrado um sistema falido. Os professores não conseguiam transmitir muito bem o conteúdo. Enquanto isso, muitos alunos estavam surpresos porque, a partir dali, teriam que correr atrás do conteúdo. E  para mim, que já tinha experiência em estudar sozinha, foi muito mais fácil.

Além disso, eu também conheci pessoas que não sabiam nem pontuar uma frase, o que é impressionante para uma faculdade de jornalismo. É um item básico de gramática. É claro que não é culpa só dele, mas sim de todo o sistema do país no qual estamos inseridos. Mas eu fiquei assustadíssima. "O que está acontecendo?"

A verdade é que passar na faculdade tira um peso muito grande das costas, que é o de ter que ficar provando que você é capaz de passar em algo. O Homeschool me ajudou nisso, pois eu sempre estudei porque queria aprender, para melhorar minha vida, e não para provar que eu sei. Uma pessoa não necessariamente precisa de uma faculdade para ser alguém, um diploma não significa que você é inteligente. É o aluno, e as escolhas pessoais que tornam o aprendizado bom. Eu acho que consegui entender isso mais fácil que meus colegas. Atualmente, como eu me desapontei com o ensino, eu tranquei a faculdade. Agora eu voltei a estudar em casa para passar em outra universidade, talvez fora do país.


Sobre cursos pré-vestibulares, eu conversei com umas amigas que fazem cursinho há muito tempo, e elas falaram que é muito desespero para aprender todo um conteúdo em um ano, e a pressão psicológica é enorme. Isso sufoca as pessoas, é desumano.  Os professores dizem aos alunos que um é concorrente do outro.Aprender sob pressão não funciona para mim. Eu saí da escola por causa disso, além, claro, de outros motivos, como greves constantes, drogas em sala de aula, e a violência nas escolas.

Como bom estudante, sim, preciso me dedicar uma grande parte do meu dia, mas ainda tenho tempo para receber amigos que vêm me visitar, pois conheço muita gente de fora. Faço tours por Brasília com eles e marco ensaios fotográficos. Também estou conseguindo fazer muitas coisas que gosto, como um curso de técnico em biblioteconomia, e outro de fotografia, já consegui montar um portfólio.

Eu ainda tenho contato com outras famílias que fazem homeschooling, elas frequentam minha casa, perguntam-me o que eu achei da faculdade, e muitos pais tem dúvidas se o filho vai se adaptar a universidade. Para meu irmão, de 14 anos, como eu, também dou vários conselhos, começamos a estudar no ensino fundamental, e ele tem alguns anos de vantagem em relação a mim, eu digo para ele ficar tranquilo, pois se ele se dedicar ele vai conseguir preencher várias lacunas de aprendizado que eu não consegui.

O homeschooling me ajudou a abrir a mente. Quando você adere a uma coisa nova, seja o que for, primeiro há um choque inicial. Será que isso é bom mesmo? Depois você começa a entender e a diminuir seus preconceitos. A vantagem do homeschooling é que qualquer pessoa, com esforço e apoio da família, vai conseguir estudar tudo que desejar.