quinta-feira, 5 de maio de 2016

Qualidade dos novos professores no Brasil é cada vez pior, revela estudo

Estudantes de Pedagogia com esse perfil tiveram desempenho menor no Enem e não se saem bem na prova de conhecimentos gerais do Enade


As próximas gerações tendem a ter uma educação precária, o que pode a reproduzir a pobreza, por causa da menor qualidade dos novos professores. A constatação é do boletim “Perfil dos futuros professores”, divulgado pelo IDados no fim de abril. De acordo com o documento, as faculdades de Pedagogia no país atraem anualmente mais estudantes de escolas fracas e com desempenho ruim no ensino médio – o contrário do que ocorre nos países desenvolvidos, em que os futuros docentes são recrutados entre os melhores alunos.
“O cenário é complexo e são vários os motivos pelos quais isso acontece”, explica Paulo Rocha e Oliveira, presidente do IDados, entidade ligada ao Instituto Alfa e Beto. “O fato é que os cursos de Pedagogia não atraem os melhores alunos, são fáceis de entrar, as notas de corte são baixas e passam a ser a porta mais fácil de acesso dos menos qualificados ao ensino superior”, comenta.
De 2005 a 2014, a quantidade de matrículas nos cursos de Pedagogia de alunos de baixa renda familiar (de até três salários mínimos) duplicou, chegando a 83%. Do total em 2014, 59% tinham mães com escolaridade de até a 4ª. série e 78% estudavam à noite. Essa parcela da população, mostra o levantamento, tem notas abaixo da média geral no Enem, que já é um índice baixo.
Já em relação à prova de conhecimentos gerais do Enade, mais associada ao nível cognitivo dos alunos do que ao conteúdo específico, comparados a alunos de outros cursos, como o de Engenharia, os estudantes de Pedagogia têm resultados inferiores. As notas da prova variam de 0 a 100 e os novos professores, desde 2005, não conseguem atingir a marca de 50 pontos.
O estudo aponta também que em nenhuma região do país existe uma política para atrair melhores estudantes para o magistério.

Professores ideais x preocupação social

Em países como Finlândia, Coreia do Sul e Polônia, só pode ser educador aquele que foi um excelente aluno, com notas muito acima da média no ensino médio, principalmente em português, matemática e ciências, disciplinas avaliadas nos testes internacionais, especialmente no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) – nas quais o Brasil tem ficado sempre nos últimos lugares.
Estudos, como os realizados pelo pesquisador Eric A. Hanushek, da Universidade de Stanford, cruzam a qualidade dos professores com a melhora no ensino e o crescimento econômico desses países. Professores mais qualificados conseguem melhorar a qualidade profissional e cultural das próximas gerações e, com isso, o nível socioeconômico da população em geral.
No Brasil o quadro é mais complexo já que as políticas sociais necessárias de inclusão – como o Fies e o ProUni – podem ser contraditórias se, ao mesmo tempo que abrem mais vagas nos cursos, não investem também na atração de melhores alunos ou em iniciativas capazes de consertar falhas na educação básica dos ingressantes.
“A primeira coisa que é preciso refletir ao ver os resultados de uma pesquisa como essa é ver que tipo de pessoa queremos atrair para o magistério, sem distorções e sem deixar para trás avanços sociais”, explica Paulo Oliveira.
Para a professora Araci Asinelli da Luz, doutora em Educação e professora na UFPR, o foco principal não deve ser tanto a origem dos alunos, mas os investimentos feitos pelo poder público para melhorar tanto a universidade quanto as condições de trabalho dos professores, para atrair os mais aptos. “Não existem pesquisas do motivo pelo qual os estudantes escolhem Pedagogia, mas sabemos que muitos deixam de optar por ela porque o professor não tem reconhecimento nem boas condições de trabalho”, afirma.

Desvalorização

Dados da OCDE de 2015 mostram que, entre 30 países, o Brasil é um dos que pagam os piores salários para os professores, ficando à frente apenas da Hungria e da Indonésia. Os professores brasileiros são também os que têm mais alunos em sala de aula e com menores recursos para infraestrutura.
“Os alunos que teriam vocação para o magistério muitas vezes são desestimulados pela própria família pelas condições precárias da profissão, baixos salários e descaso do poder público”, lamenta Dora Megid, diretora da Faculdade de Educação da PUC-Campinas. “Acredito no potencial dos alunos de baixa renda, que conquistam resultados brilhantes em faculdades bastante exigentes, mas se não houver algum incremento nas condições de trabalho, esses mesmos estudantes acabam deixando de lecionar”, alerta.

PERFIL

A quantidade de alunos de Pedagogia no Brasil proveniente de famílias de baixa renda aumentou nos últimos anos. Eles vêm normalmente de escolas fracas e têm baixo desempenho nas avaliações em comparação com outros cursos.
Fonte: MEC/Inep, IDados – Instituto Alfa e Beto Infografia: Gazeta do Povo.

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Comentário:
O grande problema dá má formação dos professores é algo que a matéria "disse sem dizer". Ora, sabemos que ter vindo de família de baixa renda não reflete em você ter bom ou péssimo resultado nas avaliações. O problema dessa má formação chama-se ESCOLA PÚBLICA. Sim, o ensino público na Educação Básica é um lixo.
O próprio fato de universidades federais usarem cotas por classe demonstra que a escola pública não prepara o aluno para lutar de igual pra igual com o outro que vem do ensino privado. Porém, os pseudo especialistas da educação não farão nada para mudar o cenário. Enquanto nós ocupamos os últimos lugares no PISA e em outras avaliações, o Governo e movimentos de esquerda estão preocupados em transformar a escola em palanque político-partidário. A infraestrutura das escolas é péssima em muitos lugares, mas sindicatos de professores estão nas Câmaras lutando para se aprovar a ideologia de gênero. 
O estudante pode vim do ensino público ou do privado, mas após chegar à Universidade ainda encontrará várias coisas que o fará ser um profissional medíocre. Também nas universidades está presente - e com força - a doutrinação marxista, a formação em prol do relativismo, implantação de uma mentalidade que aceite a ideologia de gênero, etc.; enquanto o que convém a disciplina é deixado de lado. Eu curso Pedagogia, e para terem uma ideia, na disciplina Política e Organização da Educação Básica, boa parte das aulas e do material didático dado pela Faculdade trazia discussão entre Liberalismo x Marxismo. LDB e outras leis que se danem! Ora, se o estudante - não só de Pedagogia, mas de qualquer curso superior - não tiver um profundo desejo de conhecer a verdade, de investigar, mesmo com o professor destruindo a disciplina ele vai e busca conhecimentos científicos daquela matéria para saber, enfim, se de certa maneira não se torna um autodidata, estará fadado à uma imbecilização continuada que existe da educação básica à universidade. 
Olhe por exemplo o que o MEC quer fazer com a Base Curricular Comum e veja que esse pessoal pouco está se importando com o conhecimento científico, com os saberes, eles querem é imbecilizar a nação. Quem estuda Pedagogia sabe muito bem que a Educação é conceituada como uma socialização, ou seja, português, matemática, biologia, etc., não é a função principal, a escola tem que, segundo eles, socializar a criança. Por isso NÓS que saímos do ensino público não conseguimos passar numa prova de conhecimentos - porque não era importante para aprendermos; mas somos sociáveis com grupelhos de esquerda. 

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